breogán, a ópera encontrada.
Photobucket - Video and Image Hosting

por Xosé Villán

Xavier Scarpa, empregado de uma livraria em Santiago de Compostela, não podia acreditar no que estava a ver: o libretto e as partituras de Breogán, a única ópera que António Lukinovich Scarpa, o seu obscuro avô, compôs, tinham-lhe sido enviadas de Boston (cidade onde o compositor viveu), em carta anónima. (…) Uma importante obra do ressurgimento da cultura galega estava finalmente resgatada do esquecimento. (…)
Breogán estreou na noite de 24 de Janeiro de 1906, uma quarta feira de lua cheia, no Teatro Principal em Santiago de Compostela. Regida pelo próprio Lukinovich Scarpa, foi por este apresentada por mais cinco vezes: outra em Santiago, duas em Lugo e mais duas em A Coruña. (...) Tinha, no elenco, nomes sonantes como o tenor Ignacio Matilla (Breogán), a soprano Clara Martinez (Onomaris) e o barítono Xosé Lahoz (Cridh). Na sua orquestra, (...) era primeira violoncelista a brilhante Guilhermina Suggia (...). Depois da morte de Lukinovich Scarpa, envenenado em 1907, todo o seu trabalho caiu no esquecimento, entre estranhas perdas e misteriosos incêndios. Até hoxe julgava-se ter sido esse o destino de Breogán. Foi em vão que durante quase cem anos se procuraram pautas e gravações. Apenas um ou outro testemunho reconstruiu, de forma frágil e precária, trechos do trabalho de Lukinovich Scarpa (...). Sobre Breogán, uma ópera sobre uma lenda celta, foram-se criando lendas que só deixaram de o ser com esta recente descoberta (…), [confirmando-se] que os poemas de Rosalía de Castro Unos con la calumnia le mancharon e Yo no sé lo que busco eternamente foram mesmo transformados em árias, e que Lukinovich Scarpa põe o Rei Breogán a dizer, no seu leito de morte, as mesmas palavras que Rosalía de Castro disse antes de falecer: Abride esa xanela que quero ver o mar (...). Com a recente descoberta do libreto e das pautas de Breogán, comprova-se, finalmente, aquilo que até à data apenas tinha sido afiançado por testemunhos: Breogán é, sem dúvida, uma ópera magistral. (...)
 
posted by Eduardo Brito at 12:49 da manhã | Permalink |


0 Comments:




















autor
EB


página principal
A Divina Desordem


mais recentes


arrumações


© Eduardo Brito | Todos os direitos reservados.
Layout design by Pannasmontata + adaptações de EB