estes rios da terra.
Texto e imagens de Eduardo Brito, in Líquida #1, Abril de 2008.
A paisagem está cheia de rios e regatos. Atravessam campos e cidades, debaixo da terra e à vista do céu. Passam por baixo de casas, de pontes com mais de mil anos, de estádios de futebol; passam por cima de florestas e campos de cultivo; ziguezagueiam pelo centro das cidades, discretos ou majestosos. Têm ao seu lado caminhos e estradas porque as estradas seguem a pendente das águas inseridas no talvegue, como escrevia o arquitecto Le Corbusier. Dão nome a ruas e a lugares, mesmo que se não saiba porque se chamam assim. Criam a paisagem, fazem-na nossa, bonita ou feia. Algumas das suas águas curam os males do corpo. Outras contam histórias de miséria, de traseiras de tristes casebres. Todas dão de beber às gentes e aos campos. Servem para gerar força para moer o trigo que há de ser pão que há de aparecer à mesa. Lavam a roupa suja do dia de trabalho nas fábricas que nelas descarregam a porcaria que já não lhes cabe no lixo. São assim os rios e os regatos. Indiferentes. A correrem uns para os outros e depois para o mar. Chamam-se Ave, Selho, Vizela, Nespereira, Couros, Costa, Agrela, Pontes, Aveleira, Pequeno, Febras, Atães, entre tantos outros que de pequenos mal se lhes lê o nome. Estas são terras cheias de água. E estes os rios da terra.

Rio Selho, Creixomil, Guimarães.

Rio Couros, Trás-de-Gaia, Guimarães.

Ribeiro de Nespereira, sob o viaduto da A11, Nespereira, Guimarães.

